Arquivo de 16 de setembro de 2007

Ilha do Cardoso, o outro lado da moeda.

domingo, 16 de setembro de 2007

Bom depois de fazer um post relatando sobre minha viagem até Ilha do Cardoso vou esclarecer aqui algumas burocracias, e verdades que mostram que nem tudo é perfeito.
Máfia dos Barqueiros: O meio mais eficaz de se chegar até a Ilha é por meio de “voadeiras” são pequenas embarcações motorizadas que conseguem faz o trajeto de 36 km levando de 6 a 9 pessoas, em menos de 1hr, os barqueiros são simpáticos param para você ver os golfinhos e tudo mais. Só que entre eles existem pessoas que querem intermediar a negociação deixando o clima tenso e com a nítida sensação que você esta sendo explorado. Por exemplo para ir uma mulher queria me cobrar R$35 para arrumar um barqueiro, aos berros achei uma lancha e negociamos com ele por R$20, dei sorte.trajeto cananéia. Isso foi fácil pois era Domingo, e o movimento era grande, de pessoas que querem fazer passeios “bate e volta” já na segunda fiquei na mãe e só conseguiria voltar na Terça com um Barco da Dersa, destinado aos moradores, e com um pequeno suborno R$ 47 eu conseguiria pegar uma carona.
Mas a sorte estava comigo, achei uma familia na segunda feira que estava fazendo bate e volta, negociando com o barqueiro consegue que ele me leva-se por R$40 com direito a uma parada em uma cachoeira, nas circunstâncias aceitei.
Você fuma maconha?: Ao descer na ilha das 3 perguntas que te fazem essa é a primeira “Você fuma maconha?”, “Daonde você é ?”, “Até quando vai ficar?” depois se você fumar “Você tem ae ou tá precisando, se quiser eu arrumo…”. Nada espantador, por mim essa droga está liberada, mas o pessoal que vai lá as vezes folga na massa e esquece de usar o bom senso.
Falando com um morador que cede seu quintal para prática do camping, ele comentou comigo que se revoltou, um de seus hóspedes levantou logo de manha e acendeu um “Tarubo de Maconha” dos grandes. E ele teve que dar uma dura no muleque dizendo “Meu irmão quer fumar pode fumar, mas vá a um lugar aberto eu tenho familia e crianças aqui”, o jovem disse “Mas aqui não é liberado?” o senhor disse “Isso aqui é Brasil, e que eu saiba maconha é proibido, na boa vá lá na praia com isso ae”.
Que resposta se podia esperar de um cara que acende sozinho um “Tarubo de maconha” as 7hrs da manha de domingo, só no Brasil tem esses “no-sense”.
Então o lugar tem essa “Fama” que lá a maconha é normal, pois não tem policia ou qualquer tipo de repreensão a não ser a dos moradores, até ae tudo bem, mas cabe aos usuários um pouco de bom senso e respeito.
Um povo esquecido: Outra coisa que notei ao falar com os moradores, é a falta de condições que eles tem lá, energia elétrica é uma delas, tudo funciona a gás(chuveiro, lampiões) e a óleo diesel(gerador),por isso sinceramente não acho nada caro o que eles cobram lá por bebiba gelada e alimentação, R$4 reais uma cerveja, é o que eu pago nos bares aqui.
Um morador me explicou que existe um trecho entre o comunidade e o continente que tem menos de 3km, e que não seria difícil puxar energia ali, mas é uma questão de Preservação ambiental e de Política que não os deixam entrar no mapa. Por isso ele diz que gasta mais de R$ 180 entre gás e óleo diesel, isso com ele e a familia dele, em temporada isso dobra ao receber visitantes.
Outra coisa que eles reclamam muito é a torre de celular, que ajudaria muito eles, mas tudo lá é complicado se você tiver que construir uma “mureta” tem que pedir autorização por meio de alvará.
Por isso tudo lá é muito simples e isso de uma certa forma deixa o lugar realmente fantástico, que por um lado é duro de imaginar viver assim o ano todo, porém quando você vê as crianças locais brincando no meio dos golfinhos é emocionante.